Por Raíça Sousa e Karolini Oliveira, em 19 de março de 2026
O Dia do Artesão é celebrado neste 19 de março. A data é dedicada à valorização do trabalho artesanal e da criatividade de profissionais que transformam a matéria-prima em obras de arte. A celebração coincide com o Dia de São José, considerado pela religião cristã o padroeiro dos trabalhadores e artesãos, por ter exercido o ofício de carpinteiro.
No Acre, o artesanato não representa apenas expressão cultural, mas também uma importante fonte de renda para muitas famílias. Em frente ao Calçadão da Gameleira, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Rio Branco, a Casa do Artesanato Acreano expõe e comercializa peças de artesãos de todas as regionais do estado do Acre.

Coordenado pela Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), o espaço tem registrado resultados expressivos. As vendas cresceram, passando de R$ 174 mil, em 2024, para mais de R$ 443mil, em 2025. As peças expostas na Casa do Artesanato são produzidas com dedicação e utilizam matérias-primas locais, como sementes, madeira e borracha reaproveitadas na criação de biojoias, objetos decorativos, souvenires e itens que evidenciam a beleza da Amazônia acreana.
A artesã Socorro Souza, que trabalha com resíduos da floresta há cerca de 50 anos, é uma entre os 131 artesãos que expõem peças na Casa do Artesanato Acreano.

Socorro conta que começou na profissão ainda jovem, influenciada pela família. “O artesanato sempre fez parte da minha vida. Cresci em uma família de artesãos e isso me acompanhou ao longo de toda a minha trajetória”, revela.
Pioneira no beneficiamento de sementes no estado, ela destaca os desafios enfrentados no início. “Eu fui a primeira mulher no Acre a trabalhar com beneficiamento de sementes, que antes era um espaço dominado por homens”, relembra.
Para Socorro, o artesanato vai além de uma atividade econômica. “O artesanato é a grande âncora da minha vida. É trabalho, mas também é cuidado, é tudo para mim”, afirma.
Mãos que transformam
Segundo a coordenadora da Casa do Artesanato Acreano, Risoleta Queiroz, além da valorização do trabalho manual, o artesanato desempenha papel essencial na preservação cultural. “O artesão é um guardião de tradições e técnicas ancestrais, como [as usadas em] cerâmica, biojoias, marchetaria, cestarias e madeira, que passam de geração em geração, mantendo viva a história local”, ressalta Risoleta.

Para muitos profissionais, a atividade também representa sustento e inclusão social. “Para muitos artesãos, o trabalho manual é a principal fonte de renda e um caminho para a independência financeira, especialmente para mulheres”, completa Risoleta.

Nesse sentido, a Secretaria de Turismo e Empreendedorismo, por meio da Coordenação Estadual do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), um programa do governo federal, tem investido em políticas públicas para o desenvolvimento do setor no estado.

Em 2025, foram cadastrados 420 novos artesãos no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), criado para cadastrar e reconhecer artesãos em todo o país, permitindo a emissão da Carteira Nacional do Artesão e a inclusão em políticas públicas do setor.
Atualmente, o Acre conta com 2.356 artesãos ativos, segundo dados da Sete atualizados em janeiro de 2026. Além disso, a emissão da Carteira Nacional do Artesão também possibilita a participação de artesãos em grandes feiras.

Em 2025, o artesanato acreano participou de eventos nacionais como a Fenearte (PE), Fenacce (CE) e o Salão do Artesanato (SP), alcançando R$757 mil em vendas. Somando feiras e a Casa do Artesanato, o faturamento do setor ultrapassa R$1,2 milhão no ano passado.

Além disso, a Caravana de Cadastramento de Artesãos percorreu municípios como Feijó, Manoel Urbano e Sena Madureira, ampliando o mapeamento da atividade e garantindo acesso a políticas públicas de incentivo.

A diretora de Empreendedorismo da Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete), Patrícia Parente, reforça o papel social do setor. “Quando uma mulher artesã cria com suas próprias mãos, ela não produz apenas uma peça. Ela constrói autonomia, dignidade e futuro para sua família. O artesanato feminino carrega história, cultura e identidade do Acre. Em cada fibra trançada e em cada detalhe moldado, há horas de dedicação e um saber que atravessa gerações”, destaca.

Para o secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, o artesanato acreano é um dos destaques do estado. “O Acre é riquíssimo em cultura, tradições, e o artesanato é um dos grandes destaques que temos aqui. É um artesanato de qualidade, com história e valor. Então, temos buscado valorizar ainda mais os artesãos do nosso estado”, ressalta.

Preservação cultural e geração de renda
Com produções artesanais que vão desde biojoias feitas com sementes de açaí, jarina e paxiúba à marchetaria, o trabalho com látex, madeira, cerâmica, artesanato indígena e cocares, a celebração das culturas e tradições acreanas ganham força com o artesanato local.
“A celebração ajuda a combater preconceitos e destacar a criatividade, habilidade e dedicação de quem transforma matéria-prima em arte”, afirma a coordenadora da Casa do Artesanato Acreano, Risoleta Queiroz.
“O Dia Nacional do Artesão é uma data especial para reconhecer a importância desses profissionais em nossa sociedade. Com talento, paciência e dedicação, eles criam peças únicas que refletem a riqueza cultural e a criatividade do nosso povo”, acrescenta.
Para a artesã Socorro Souza, celebrar a data reforça a importância de valorização e continuidade da atividade. “Eu convido todos a valorizarem o nosso artesanato pela história que ele carrega e também faço um chamado para que os jovens se interessem, para que essa cultura não se perca”, conclui.









































